Eu não saberia falar, assim, de bate pronto, qual era a cor do cabelo dela. Para mim, arriscaria numa profusão de dourados; não de um ouro de ostentação e luxúria, como muita gente quer e busca para si, mas uma gama de dourados de sonhos, do ouro de um troféu justo e suado, talvez no tom de um delicioso caramelo na boca de uma criança feliz. Outros poderiam rapidamente definir a cor de sua cabeleira sem pestanejar e, o que é muito pior, sem emoção alguma, como pode? Teriam, até, imagine você, aqueles que nem reparariam nela, mas esses poucos nem vale à pena citar, tamanha falta de respeito com o belo, ora bolas. Eu, não. Fiquei a navegar na tabela das cores das minhas emoções, perdido e sem fôlego. Os cabelos invadiam suas costas morenas, e balançavam, ora em movimentos de bossa-nova, ora no tom de uma orquestra sinfônica momentos antes dos aplausos. Ela sentou no banco da praça e eu a segui, em intenção e inteiro, embora sem me movimentar. Não conseguia tirar os olhos dela, e o mundo ali, me chamando à realidade e me oferecendo outros predicados: o jogo não começou porque ainda não me posicionara no gol do time sem camisa; o mate gelado não foi aberto, sequer comprado, para matar a sede da tarde; e a roda do papo não esquentou porque a roda nem se formou. O meu gol, minha sede e meu assunto estavam ali. E eu tentando entender o que não se deve, jamais, buscar compreensão. Afinal, faria sentido definir a cor de seu cabelo? Teria serventia desvendar um mistério que existia justamente para me perder (e prender) em buscas sempre intensas? Até hoje eu acompanho aqueles cabelos toda vez que ela passa pela praça, afinal toda paixão é sempre uma primeira vez.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
PEQUENA CRÔNICA DE UMA PRAÇA (37)
Eu não saberia falar, assim, de bate pronto, qual era a cor do cabelo dela. Para mim, arriscaria numa profusão de dourados; não de um ouro de ostentação e luxúria, como muita gente quer e busca para si, mas uma gama de dourados de sonhos, do ouro de um troféu justo e suado, talvez no tom de um delicioso caramelo na boca de uma criança feliz. Outros poderiam rapidamente definir a cor de sua cabeleira sem pestanejar e, o que é muito pior, sem emoção alguma, como pode? Teriam, até, imagine você, aqueles que nem reparariam nela, mas esses poucos nem vale à pena citar, tamanha falta de respeito com o belo, ora bolas. Eu, não. Fiquei a navegar na tabela das cores das minhas emoções, perdido e sem fôlego. Os cabelos invadiam suas costas morenas, e balançavam, ora em movimentos de bossa-nova, ora no tom de uma orquestra sinfônica momentos antes dos aplausos. Ela sentou no banco da praça e eu a segui, em intenção e inteiro, embora sem me movimentar. Não conseguia tirar os olhos dela, e o mundo ali, me chamando à realidade e me oferecendo outros predicados: o jogo não começou porque ainda não me posicionara no gol do time sem camisa; o mate gelado não foi aberto, sequer comprado, para matar a sede da tarde; e a roda do papo não esquentou porque a roda nem se formou. O meu gol, minha sede e meu assunto estavam ali. E eu tentando entender o que não se deve, jamais, buscar compreensão. Afinal, faria sentido definir a cor de seu cabelo? Teria serventia desvendar um mistério que existia justamente para me perder (e prender) em buscas sempre intensas? Até hoje eu acompanho aqueles cabelos toda vez que ela passa pela praça, afinal toda paixão é sempre uma primeira vez.
Eu não saberia falar, assim, de bate pronto, qual era a cor do cabelo dela. Para mim, arriscaria numa profusão de dourados; não de um ouro de ostentação e luxúria, como muita gente quer e busca para si, mas uma gama de dourados de sonhos, do ouro de um troféu justo e suado, talvez no tom de um delicioso caramelo na boca de uma criança feliz. Outros poderiam rapidamente definir a cor de sua cabeleira sem pestanejar e, o que é muito pior, sem emoção alguma, como pode? Teriam, até, imagine você, aqueles que nem reparariam nela, mas esses poucos nem vale à pena citar, tamanha falta de respeito com o belo, ora bolas. Eu, não. Fiquei a navegar na tabela das cores das minhas emoções, perdido e sem fôlego. Os cabelos invadiam suas costas morenas, e balançavam, ora em movimentos de bossa-nova, ora no tom de uma orquestra sinfônica momentos antes dos aplausos. Ela sentou no banco da praça e eu a segui, em intenção e inteiro, embora sem me movimentar. Não conseguia tirar os olhos dela, e o mundo ali, me chamando à realidade e me oferecendo outros predicados: o jogo não começou porque ainda não me posicionara no gol do time sem camisa; o mate gelado não foi aberto, sequer comprado, para matar a sede da tarde; e a roda do papo não esquentou porque a roda nem se formou. O meu gol, minha sede e meu assunto estavam ali. E eu tentando entender o que não se deve, jamais, buscar compreensão. Afinal, faria sentido definir a cor de seu cabelo? Teria serventia desvendar um mistério que existia justamente para me perder (e prender) em buscas sempre intensas? Até hoje eu acompanho aqueles cabelos toda vez que ela passa pela praça, afinal toda paixão é sempre uma primeira vez.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário