sábado, 2 de março de 2013


PEQUENA CRÔNICA DE UMA PRAÇA (18)

De um lado, Bema, Clovis, Fininho, Davi, Cheiroso, Dedinho e Da Silva. Um esquadrão, dono de um cartel de vitórias de dar inveja ao Barcelona. Do outro, Babau, Claudinho, Ruy, Chupeta, Catatau, Sou Feliz e Armandinho, time de bambas, tudo filhote de Neymar, jogadores que partem para cima e, se o adversário der mole, ainda voltam para mais um olé. Uma partida antológica, e poucos arriscariam a palpitar o placar, na finalíssima que aconteceria naquela tarde, no estádio municipal Nossa Praça. A torcida comparece em peso: Enio, Vitinho, Siri, Mussum, Hélio, Waldemar, Crazy, Silvinho, Macedão, Macedinho, Graúdo, Renata, Claudinha, Suely e, acreditem se quiser, a mais linda menina do pedaço, Madalena. E é só, porque esse tanto de gente lota os dois bancos transformados em camarotes de honra para a peleja. Os times estão em campo, mas encontram um contratempo: quem consegue por para fora da linha o viralata Seu Zé? Adversário comum a todos, dá uma canseira na turma e só resolve deixar o campo depois de uns dez minutos de show. Ufffa, hora da bola rolar. Par ou ímpar decidido, o time de Bema vai sair com a bola, e a torcida se prepara para vibrar, mas... é preciso esperar a menina passar com o carrinho de bebê, e o dito cujo ali dentro, dormindo como se aquela fosse uma tarde absolutamente comum. E é claro que não era, porque esse jogo histórico estava marcado há exatos dois dias, e a ansiedade era tamanha que os meninos de um time nem falavam com seus adversários da outra equipe. Dizem até que Cheiroso e Chupeta trocaram juras e injúrias, com direito a tapas e pontapés, mas tal estória já fazia parte da lenda do clássico. E a bola finalmente ia rolar, não fosse mais um pequeno contratempo – a invasão de duas criancinhas em plena grande área de um dos times. Resolvido o probleminha, o jogo de fato começa, para alívio de todos e delírio da platéia. Clovis passa para Cheiroso que, de primeira, toca para Dedinho, que avança, todo todo, em direção ao gol do adversário. Ele dribla um e quando vai passar para alguém bem colocado, é interrompido. “Ruyzinho, vem agora! O almoço está pronto e você ainda precisa se lavar. Pega sua bola e já para casa”, decreta o fim do jogo a mãe do dono da redonda. Foi um zero a zero de amargar.

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