PEQUENA CRÔNICA DE UMA PRAÇA (2)
Ele é moreno, alto e está começando a ficar forte. Passa
algo no cabelo para encontrar aquele tom dourado que reluz. Usa sandálias,
bermuda de surfista e camiseta, que anuncia a enorme tatuagem que começa no
braço e termina no meio das costas. Caetano o chamaria pela alcunha de menino
do Rio, fosse ele destas bandas. Gosta de surf music – seja lá o que isso for –
e sente medo de livros com mais de 20 páginas. Ok, gibi tudo bem. Ela é baixinha,
não encontra roupa com tanta facilidade e tem uma coleção de espinhas. Uma
delas, quase na ponta do nariz, é de estimação, mas faz a alegria das crianças,
que a chamam de bruxa. Não se mete a usar roupa apertada, quase não fala
gírias. Se diz ‘temente a Deus”. Ele caminha de uma forma naturalmente
apressada. Ela se esforça para dar passos largos, mas desiste rapidamente. Ele
cantarola alguma coisa, ela afina a sintonia no ouvido para escutar. Ele tchum,
ela tcham; ele pá, ela pum. Eles se esbarram. Ela olha, de cima a baixo, ele
nem aí...
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