sábado, 2 de março de 2013


PEQUENA CRÔNICA DE UMA PRAÇA (5)

Procurava alguma coisa, mas parecia que nem ele mesmo sabia o quê. Olhava para os lados, cruzava a praça de ponta a ponta, parava ora aqui, ora ali... e a cara de dúvida era a mesma, interrompida por caretas pontuais. Percebi o seu movimento e logo aportei minha atenção ali. Que divertido! Minha curiosidade, entretanto, alcançou rapidamente os graus aceitáveis da escala Richter e, em breve, arrisca explodir em um terremoto de perguntas: o que será que ele procura? Será que vai achar? Será que ele sabe o que procura, realmente? Teria perdido algo? A curiosidade vira coceira e eu não consigo mais sequer pensar no que irei almoçar, daqui 15 minutos, porque estou preso ao rapaz-que-perdeu-sabe-se-lá-o-quê-na-praça. Acompanho todos os seus movimentos, meus olhos dançam conforme os seus passos, ora lentos, ora apressados, e, somente depois de algum tempo, me dou conta: agora, ambos procuramos alguma coisa perdida. Virei seu parceiro, sofro junto dele e estou decidido a interrompê-lo para oferecer meus préstimos. Me levanto, caminho em sua direção, mas antes que chegue a uma distância razoável para lhe falar, ouço seu grito vitorioso: “yeah, consegui o sinal da internet do meu celular”!

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