PEQUENA CRÔNICA DE UMA PRAÇA (5)
Procurava alguma coisa, mas parecia que nem ele mesmo
sabia o quê. Olhava para os lados, cruzava a praça de ponta a ponta, parava ora
aqui, ora ali... e a cara de dúvida era a mesma, interrompida por caretas
pontuais. Percebi o seu movimento e logo aportei minha atenção ali. Que
divertido! Minha curiosidade, entretanto, alcançou rapidamente os graus
aceitáveis da escala Richter e, em breve, arrisca explodir em um terremoto de
perguntas: o que será que ele procura? Será que vai achar? Será que ele sabe o
que procura, realmente? Teria perdido algo? A curiosidade vira coceira e eu não
consigo mais sequer pensar no que irei almoçar, daqui 15 minutos, porque estou
preso ao rapaz-que-perdeu-sabe-se-lá-o-quê-na-praça. Acompanho todos os seus
movimentos, meus olhos dançam conforme os seus passos, ora lentos, ora
apressados, e, somente depois de algum tempo, me dou conta: agora, ambos
procuramos alguma coisa perdida. Virei seu parceiro, sofro junto dele e estou
decidido a interrompê-lo para oferecer meus préstimos. Me levanto, caminho em sua
direção, mas antes que chegue a uma distância razoável para lhe falar, ouço seu
grito vitorioso: “yeah, consegui o sinal da internet do meu celular”!
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