PEQUENA CRÔNICA DE UMA PRAÇA (22)
Essa seria a primeira vez que sairiam juntos. Bem,
juntos já estavam, mas um programa a dois, com hora marcada e destino certo,
esse era o primeiro, primeiríssimo para ambos, assim, juntinhos de verdade,
sabe? A praça os esperava para um picolé, uma sombra com aconchego, uma tarde à
dois, somente ele e ela. Um tempo único para olhares, beijos e carinhos...
quantos beijos e carinhos estavam decerto programados... E um primeiro encontro
não se deve menosprezar. É preciso estar preparado e devidamente arrumado. Ele
gostava mesmo é de ficar descalço, mas calçou meia e sapatos, calça comprida e
uma camiseta nova. De malha, mas novinha da Silva. Penteado, embora tivesse
poucos cabelos, e perfumado, ainda que não gostasse muito de colônias de
prateleiras de supermercado e lojas afins, estava um gato. “Um fofo”, ela
diria, que voltou a usar saia jeans, pois emagrecera, e escolheu uma camisa
florida de botões. “Mais fácil de abrir”, pensou e riu consigo mesma. Que
aventura! Outra atitude, muitíssima bem pensada, foi carregar a bateria da
câmera de bater fotos, e colocá-la na bolsa, na noite anterior, para não
esquecer do detalhe de jeito algum. Era uma bolsa grande, maior do que as
bolsas grandes de suas amigas, mas era preciso se prevenir. Vai que chove? Vai
que esfria? Vai que eles demoram mais do que o combinado? Vai que vai...Batom,
rímel e demais maquiagens, dispensou, pois queria estar o mais natural
possível, além do que achava, de fato, que nunca esteve tão bonita como nestes
tempos. Um passeio na praça, juntos, para todos verem, era perfeito para
anunciar esse novo amor: a mãe e seu bebê recém-nascido, juntos para o sempre.
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